“Fatos”, Gabriel Toueg

 

A seguir, alguns fatos sobre o Oriente Médio e os povos da região que você precisa saber (se já não sabe) quando for conversar com alguém sobre o assunto.

Árabes e muçulmanos Cada um com seu cada um. Árabes são parte de um grupo étnico, não uma religião.  Os árabes existem desde bem antes do Islã (a religião) e existem árabes cristãos e árabes judeus. Portanto, nem todos os árabes são muçulmanos. Há populações numerosas de árabes cristãos em todo o mundo, incluindo países como Líbano, Israel, Síria e Jordânia, por exemplo. E nem todos os muçulmanos são árabes – na realidade, dois terços da população muçulmana mundial não são árabes. Em comum os árabes têm o idioma árabe.

Israelenses e judeus Igualmente, israelenses e judeus não são a mesma coisa. Hájudeus israelenses e israelenses judeus, mas há também judeus de outros países, como judeus brasileiros; e israelenses de outras religiões, como muçulmanos, cristãos etc. O termo “israelita” (que apenas em Portugal é o mesmo que “israelense”) se refere aos judeus, mas não pode ser confundido com “israelense”.

Muçulmanos e o Islã O Islã é uma religião. Um muçulmano é o sujeito que segue tal religião, que pode também ser chamada de islamismo.

Judeus e o judaísmo Na mesma lógica, judaísmo é a religião (judaica, dã) e judeus são os que seguem tal religião. Em português há uma confusão com os adjetivos “judeu”, “judia”, “judaico”, “judaica”. Explico: judeus e judias são os homens e mulheres que seguem o judaísmo. “Judaico” refere-se aos judeus. Assim, um sujeito é judeu, mas a escola onde o filho dele estuda é judaica, não judia. A propósito, “judiar” e “judiação” são pejorativos. Use, em vez desses, “maltratar”, “maus-tratos”.

Semitismo e antissemitismo É uma contradição a afirmativa de que árabes são antissemitas. Os árabes, como os judeus, são semitas. Aliás, os etíopes também. A palavra tem origem no nome de Sem, filho de Noé (aquele da Arca, lembra?) Assim como povos semitas, há idiomas semitas – e entram na enorme lista o hebraico, o árabe e o idioma dos etíopes (atenção: é amárico, não confundir com aramaico, que também é idioma semita).

Xiitas e sunitas Diferente do que se acredita, a divisão entre sunitas e xiitas é mais política e jurídica do que teológica. E as duas correntes não são as únicas linhas dentro do islamismo – há, na realidade, várias centenas delas. Li por aí que muçulmanos xiitas se equivalem a católicos romanos no cristianismo: têm uma presença clerical marcante, os imãs, que exigem a observância religiosa. Muçulmanos sunitas seriam como protestantes: os imãs  não têm um papel tão importante e eles preferem uma linha mais direta com Deus.

Iranianos não são árabes O povo do Irã, país no Golfo Pérsico, conhecidos como iranianos (dã) ou persas, não é árabe.

Jihad não significa “guerra santa” É um erro traduzir o termo árabe “jihad” como “guerra santa”. O significado original da palavra é “esforço”, ou “esforço sobre si”. Contudo, as crises políticas das últimas três décadas, aliadas ao fundamentalismo muçulmano (que é exceção, não regra), ajudaram a que passássemos a entender quejihad é sinônimo de guerra santa.

Intifada significa “levante” Embora esteja associada à ideia de guerra, conflito armado etc, intifada é um levante, pode ser também pacífico.

Gabriel Toueg© http://carteirosempoeta.wordpress.com

EXPRESSO ORIENTE por Gabriel Toueg tem seu conteúdo licenciado sob a permissão Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Brazil License.

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Acerca de Juan Zapato

Desde temprana edad mi incursión por las palabras escritas fue delineando mi perfil intelectual hacia la literatura. Ángela, mi abuela, con su cálida voz y esa facilidad para transmitir oralmente las historias que solían acompañarme por las noches –preparación para el sueño– despertó en mí la pasión por los libros. Luego vino el amor, junto con las primeras palabras que dibujaran versos adolescentes, impulsos quebrados en forzosas rimas, la intención que conlleva la pureza de plasmar sobre una hoja un universo de fantasías reales y de realidades fantásticas, trampas que el inconsciente juega a nuestros sentidos. Trasnochadas de cafés compartidas con poetas, salvadores del mundo, sabihondos y suicidas. Horas sumergidas en librerías buscando los tesoros de la literatura olvidados en algún estante. Cartas que nunca partieron hacia ningún lugar. Conversaciones perdidas con la gente que ya no está”. Ver todas las entradas de Juan Zapato

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