Archivo de la categoría: Chico Buarque

“Polo Margariteño”, Cecilia Todd

El cantar tiene sentido,
entendimiento y razón,
la buena pronunciación
del instrumento al oído.

Yo fui marino que en una isla
de una culisa me enamoré,
y en una noche de mucha brisa
en mi falucho me la robé.

La garza prisionera
no canta cual solía
y cantar en el espacio
sobre el dormido mar,
su canto entre cadenas
es canto de agonía,
¿por qué te empeñas pues, Señor,
su canto en prolongar?

Allá lejos viene un barco
y en él viene mi amor.
Se viene peinando un crespo
al pie del palo mayor.

A ti vuelvo de nuevo, mar querido,
y lejos de ti, ¡cuánto fui desdichado!
Lo que puede sufrirse lo he sufrido
y lo que puede llorarse lo he llorado.

Y ese cadáver que por la playa rueda,
y ese cadáver, ¿de quién será?
Ese cadáver debe ser de algún marino
que hizo su tumba en el fondo del mar.

El cantar tiene sentido,
entendimiento y razón.

Canto popular venezolano.


“Retrato em Branco e Preto”, Paul Sonnenberg

Interpreta: Paul Sonnenberg, versión en inglés. Imágenes de Ana Karina para un film de Jean Luc Godard. Música de Tom Jobim, Letra de Chico Buarque.

Já conheço os passos dessa estrada             
sei que não vai dar em nada                       
seus segredos sei de cór                              
já conheço as pedras do caminho               
e sei também que ali sozinho                      
eu vou ficar, tanto pior
o que é que eu posso contra o encanto
desse amor que eu nego tanto
evito tanto
e que no entanto
volta sempre a enfeitiçar
com seus mesmos tristes velhos fatos
que num álbum de retrato
eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
procurar o desconsolo
que cansei de conhecer
novos dias tristes, noites claras
versos, cartas, minha cara
ainda volto a lhe escrever
pra lhe dizer que isso é pecado
eu trago o peito tão marcado
de lembranças do passado
e você sabe a razão
vou colecionar mais um soneto
outro retrato em branco e preto
a maltratar meu coração.


“Força Estranha”, Caetano Veloso

 

Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
e a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
E o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Interpreta: Caetano Veloso

Composição: Roberto Carlos


“O Sonho dos Sonhos. A Brasilia desde Buenos Aires”, por Alejandro F. Della Sala

O Progresso e a sereia do Ordem.
Um sonho de Dom Bosco¹

“Ela falava coisas sobre o planalto Central, Também magia e meditação.
E o Eduardo ainda estava no esquema
“escola, cinema, clube, televisão.”
Eduardo e Mônica
(Renato Russo)²

 

Ontem tive um sonho de fazer um lugar novo, onde as pessoas compartilhavam os mais marcantes momentos de suas vidas. Tive também que escolher um artista que planejasse uma cidade, Oscar Niemeyer, outro que fizesse o plano piloto, Lucio Costa e também, o político ou os políticos necessários para desenvolver a ideia. Então, pensei num lugar muito especial. Teria que ser novo, com muita água e natureza virgem, que fosse o reflexo do modernismo da época. Teria que ter uma mistura entre Oswald de Andrade, o antropofagismo de Tarsila do Amaral, a poesia de Rubén Darío, com o multiculturalismo progressista de Gilberto Freyre junto com “o mais amado de todos”, Jorge Amado e o maior voador, o “homem que voava como os urubús”, o primeiro piloto de avião de todos os tempos, Santos Dumont. Do mesmo modo, também, necessitava de um romance símbolo: o romance moderno de Eduardo e Mônica e, além disso, precisava de um músico: Renato Russo, do grupo de rock Legião Urbana. 
Ainda assim, o desenho teria muitos espaços verdes, muita música, que seria portanto o reflexo desse momento, teria ademais essa ideia de liberdade que todos nós temos quando nos sentimos bem, quando consideramos que o futuro é nosso destino principal. Falando em música, deveríamos incluir algo de samba, misturada com bossa nova, tropicalismo e rock, muito rock para atrair a juventude ao projeto desenvolvido.
Concluida a obra e também para construir a cidade, se promoverão as mudanzas daqueles que queiram trabalhar e morar nesse novo espaço territorial, cheio de magia, religião e metafísica. E assim, por meio dum sonho coletivo, nasceu Brasilia. Começou com o sonho de Dom Bosco dum futuro melhor, passando pela Missão Crulz –o astrônomo pensador- e culminou com a realização de um político: o presidente “Bossa Nova” Juscelino Kubitschek.
Alguns consideram que esse projeto modernista já estava no pensamento do emperador Dom Pedro I, para proteger a gente e sua cultura das invaçöes dos outros impérios poderosos dessa época, por exemplo, o holandés e o inglés. 
Portanto, porquë não dizer que agora continua esse sonho coletivo feito realidade ou talvez não, já que consideramos que o mais importante é que as pessoas possam sonha-lo todos os dias para que esse sonho seja cada vez um pouco melhor do que outrora.
E para concluir, não levaremos um pouco de Brasilia dentro de cada um de nós, quando sonhamos _?

FONTES DE CONSULTA:

¹ “Diz à lenda que, em 1883, São João Bosco tiver um dos seus fantásticos sonhos sobre o aparecimento duma civilização na região central do país, entre os paralelos 15 e 20. Para marcar a materialização desse sonho, uma capela foi erigida no ponto exato onde fica o paralelo 15. Dali se tem uma bela vista de Brasília, do Lago Paranoá e do Palácio da Alvorada. No último domingo de agosto, há uma procissão e uma festa popular em comemoração do aniversario ao sonho de São João Bosco sobre Brasília”. (ibid.)

²Atualmente existe um monumento a Eduardo y Mönica, um casal da década dos 60 –uma sorte de ‘baby boomers brasileiros’- que virou em matrimônio típico de Brasília, localizado num parque dessa cidade capital da República.

Alejandro F. Della Sala©


“O que será”, Chico Buarque con Milton Nascimento

O Que Será

Composição: Chico Buarque

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…

O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos…

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido…

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…(2x)

Lá lá lá lá lá……..